quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

as tardes da júlia

há dias recebi uma chamada de uma jornalista que preparava o programa "tardes da júlia" e precisava urgentemente de um contacto: precisava de mais um homem que tivesse tido várias mulheres ao longo da vida... e que não se conseguia "contentar" com uma só.

achei piada ao pedido e perguntei que tipo de relacionamentos precisavam de ter tido.

"os normais, claro!", resposta imediata.

"e se forem várias relações ao mesmo tempo", perguntei.

"pois, imagino que alguns tenham traído no processo!"...

"não, não era isso que eu queria..." desisti e disse que falaria com uns amigos.

falei, mas não consegui que alguém se dispusesse. junto dos meus contactos recebi uma série de simpáticas recusas. ninguém queria ir ao programa. não era, de todo, uma questão de não querer falar sobre o assunto, mas onde e com quem o teriam de fazer.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Tristezas não trazem dúvidas

Há pouco tempo, um amigo meu contou-me que tinha acabado uma relação monogâmica de vários anos porque a namorada tinha começado a andar com outro e ele tinha descoberto. Confrontada, negou. A história do costume.

Hoje, no grupo Polyamory do Couchsurfing, uma couchsurfer belga sentiu necessidade de desabafar: acabou uma relação monogâmica de vários anos porque, apesar de o namorado saber que ela queria uma relação mais aberta, não suportou que ela tivesse dormido com outro e lhe tivesse contado. Nada de novo, infelizmente.

Os meus amigos situam-se quase sempre numa destas categorias em relação às minhas ideias poliamorosas:
— Admiro-te muito mas eu nunca conseguiria
— Admiro-te muito e gostava de tentar
— Tenho medo por ti, porque vais sofrer
— Gosto muito de ti mas quando é que te deixas de ideias malucas?

Os três primeiros podem estar, todos eles, a ver bem a questão (ou não, claro, mas isso aplica-se a qualquer interpretação). Quero eu dizer que os que têm medo por mim «porque vou sofrer» têm razão também.

«Vou sofrer» porque isso faz parte das relações humanas, e em especial das relações afectivas. Quase todas. Nesse sentido, os que me «admiram» talvez estejam simplesmente a dourar demasiado a pílula. Hei-de sofrer por momentos, sim: porque se vão descobrindo as pessoas lentamente e às vezes sai uma ficha que nos agrada menos; porque os ritmos dos enamoramentos não são iguais para os pares de envolvidos e muito menos para as constelações; porque não é invulgar transportar o stress de uma parte da vida para outra (incluindo as partes amorosas); porque com o aumento de à-vontade numa relação diminui-se o tempo para pensar no que se diz antes de o dizer (com todas as boas e más consequências que isso acarreta); e por tantas outras razões.

Isto é assim numa relação monogâmica ou numa relação poliamorosa. E cada um dos modos de pensar tem vantagens e desvantagens. Eu pesei os prós e os contras há mais de trinta anos. E nunca mais deixei de os pesar com novos dados que a vida tem vindo a fornecer-me. E continuo sem dúvida alguma do que quero para mim.

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

"She's in parties": Sex parties e suas regras...

A propósito da recente Intima Party e de discussões que provocou (o Facebook está ao rubro) lembrei-me de falar um pouco de sex parties e suas regras, do ponto de vista do consumidor habitual e exigente.

Podem argumentar: como é que sex parties (ou play parties, quando além de sexo são autorizadas práticas BDSM) podem ser on-topic num blogue sobre poly. Sim, poly não é necessariamente acerca de sexo. Mas a maior parte do que é sex-positive e que tem a ver com a expressão livre e responsável da sexualidade, não necessariamente associado a um papel num determinado "tipo" de relação, é um tema que pertence ao poly, sem sombra de dúvida.

Ora bem, o que é uma sex party, para começar? Uma sex party é um espaço onde se tentam criar as condições para que as pessoas se sintam seguras ao ponto de quererem ter ou considerarem a ideia de ter sexo, mais ou menos publicamente, conforme os gostos, com outras pessoas. Meter um grupo de pessoas numa sala e chamar a isso sex party geralmente nao chega. Por outras palavras, geralmente por inibições sociais, ou ainda, por causa dum sentimento de insegurança (muitas vezes bem realista), ninguém exprime publicamente os seus desejos sexuais que lhe passam na cabeça pelo momento. Por outras palavras ainda, é necessário criar mesmo essas condições para uma pessoa se sentir segura. Algumas dúvidas que têm de ser respondidas com algum nível de certeza são: "se eu disser não, esse não será mesmo respeitado?"; "há condições de higiene apropriadas? hmmm... este sofá tem umas manchas..."; "se eu for a esta festa, a minha privacidade vai ser respeitada?"; "o que acontece se alguém me tocar contra a minha vontade?".

Ou seja, para se organizar uma sex party, não basta alugar uma vivenda com meia dúzia de colchões e convidar a malta lá para casa. É preciso criar um espaço físico com certas condições (higiene, espaços com mais ou menos discrição, equipamento para sexo seguro, duches...) e, mais importante ainda, um espaço "cultural" em que os visitantes se sintam seguros física e emocionalmente. Sem os visitantes se sentirem seguros, não se pousa o copo da bebida quanto mais tirar roupa...

Fui buscar um conjunto de regras típico (das minhas amigas da lesbian sex mafia, mas podia ser outra coisa qualquer) para uma festa Sex+BDSM. Convido-vos a passar os olhos por ela e a pensar. Cada festa tem o seu próprio conjunto de regras, definido pela organização, mais ou menos estrito, e com que o público visitante mais ou menos se identifica. Geralmente exprime os desejos do público habitual duma determinada festa. Por exemplo há festas que limitam o consumo de álcool ou drogas, outras que não se chateiam minimamente com isso.

http://www.lesbiansexmafia.org/etiquette.html

Chamo a atenção para as regras que definem o espaço próprio de cada pessoa, em que há consentimento em cada passo, e em que tudo é implicitamente negociado sem ambiguidade. Chamo a atenção para o cuidado com a discrição. O safe sex obrigatório ou muito recomendado tem como background que há pessoas que têm dificuldade em negar sexo não seguro, e porque nenhum organizador com um pingo de sanidade quer que alguém diga que se apanhou uma maleita mais ou menos fatal ou incómoda na sua festa.

E por hoje é isto. Espero que vos seja útil e vos encoraje a organizar as vossas próprias festas. Eu tenho tido momentos muito felizes em tais festas e acho que são uma coisa muito positiva. Obrigada por lerem!

domingo, 8 de Novembro de 2009

Amigos, amigos...


Na passada quinta-feira o jornal Metro fez referência ao Poliamor no artigo "Amigos, amigos, sexo à parte".

Trata-se apenas de uma definição, seguida de referência ao site PoliamorPT. Mas parece que o tema é cada vez mais recorrente neste tipo de artigos mainstream.


sábado, 7 de Novembro de 2009

A minha vida dava um post

Aos sábados, este blog tem contado com a participação de muita gente amiga mas mesmo assim os convidados não têm chegado para as semanas.
Por isso, se alguém achar que tem uma história interessante para contar, ou uma opinião para dar, estamos à espera!


Aos Sábados este espaço está aberto a contribuições não só dos nossos convidados mas também de quem quiser escrever.

Envie o seu texto (entre 50 e 500 palavras) sobre poliamor para polyportugal@gmail.com.


Aceita-se propostas de bloggers com ou sem experiência poliamorosa.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Isso foi inesperado...

"Se fosses um rapaz monógamo, e sem ninguém, provavelmente não teria aceite." - I.

Eu ouvi isto há pouco mais de vinte e quatro horas, e fiquei parvo. Então mas não costuma ser ao contrário??

Olha, parece que desta vez foi assim. E ainda bem!

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Ainda sobre a falta de tempo...

Ora cá está. A prova de que uma pessoa poly tem muito pouco tempo, é o podcast que ouvi hoje.
Cunning Minx, de quem aqui falei há três semanas, é uma rapariga tão ocupada que nem teve tempo de ir descobrir que raio de língua se fala num país chamado Portugal.
Mas a gente perdoa-lhe, e de boa vontade, porque a moça é gira, trabalha que se farta, e à pala dela temos tido visitas de leitores de todo o mundo.
Para quem não tem tempo de ouvir o podcast (como eu vos entendo!), cá vai a transcrição e tradução do que vos falo:

"E há também um novo blog, o PolyPortugal. É verdade. Estamos espalhados por todo o lado!! Há poliamor por toda a parte!
(Como quem diz... Qualquer dia ainda aparece um blog poly no Burkina Faso!! Awsome!!) Vou também disponibilizar um link sobre um post que foi escrito sobre eles... Está em espanhol, mas podem sempre utilizar aquilo do Google Translate"...

Na verdade fui eu que escrevi sobre ela, e por acaso até hablo español, só que neste caso era mesmo português. Mas quem sou eu para criticar... Só tenho é a aprender com ela, que consegue gerir tanta coisa! Ou então já arranjou o tal secretário, cujo único defeito é nunca ter provado um pastel de nata...